terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Entrevista - Punho de MAHIN


Na segunda entrevista realizada pela página Metaleiras Negras, vamos conhecer a banda punk Punho de MAHIN, que surgiu esse ano e conta com Natália Matos no vocal, Camila Araújo na guitarra, André no baixo e Paulo Tertuliano na bateria.

1. A banda Punho de MAHIN surgiu esse ano e traz as questões para o centro das discussões no rock. Por quê? E por que Mahin?
Somos punks, logo, questionamos e carregamos isso na essência.
A ideia de trazer a discussão sobre o negro na sociedade veio de forma natural, até mesmo porque sentimos no nosso dia-a-dia os efeitos destrutivos do racismo estrutural.
Sobre o nome foi muito engraçado, pois quando nos reunimos pela primeira vez para saber se todos estavam afim de tocar, todos vieram com a mesma ideia de referência de uma revolta popular ou quilombola que fizesse referência a uma mulher. Foram várias sugestões e leituras até descobrirmos Luiza MAHIN, mãe de Luiz Gama, com uma história incrível de luta e insubordinação, mesmo em alguns pontos podendo ser até fictício por falta de dados.
Não poderia ser algo clichê como Dandara ou Aqualtune, jamais desmerecendo a luta dessas mulheres, mas elas são mais conhecidas, são mais faladas em diversas vertentes musicais e rodas de conversa no movimento negro.
Então ficou PUNHO, que abrange toda e qualquer luta, de MAHIN, que fez referência a essa grande mulher esquecida na história.

2. A banda é formada por 4 integrantes negros, sendo 2 mulheres negras no vocal e na guitarra. Vocês acreditam que possam influenciar mais negras e negros a formarem bandas, a usarem suas camisetas pretas, a serem do rock/metal/punk? É possível ensinar a nossa história com o rock?
A partir do momento que expomos nossa opinião, nosso  modo de pensar nos tornamos pessoas públicas e isso acaba influenciando outras pessoas. Já passei por essa experiência no passado que uma garota chegou em mim e disse: Eu montei uma banda porque te vi cantar e achei muito foda!
Espero que essa influência seja para que possam questionar a sociedade, se questionar, para que possam desconstruir ideias falidas e que possam construir um mundo melhor ao seu redor e não a usarem determinadas roupas ou visual, isso é consequência do ambiente que o sujeito está inserido.
Ter postura e manter uma postura política é mais que um visual carregado de rebites!
Sim, é possível ensinar nossa história com o rock e seja lá qual for o estilo musical a ser escolhido. 
Tudo que escrevemos é baseado em algum acontecimento atual ou histórico. A punho de MAHIN tem muitas letras (que estamos trabalhando) que remetem  a história de nossa ancestralidade. É importante contar a história inúmeras  vezes para que ela não seja esquecida, como também abordamos outros temas de cunho social e político.
Paulo, Natália, André e Camila.
3. Além da banda Punho de MAHIN, também existem bandas (como a Black Pantera e a Ogum, por exemplo) que além de integrantes negros, trazem a nossa ancestralidade nos nomes das bandas. Como vocês enxergam esse cenário atual no rock brasileiro?
Antes de mais nada, procurei alguns vídeos no YouTube dessas bandas que você mencionou, não as conhecia.
Estamos vivendo um momento histórico em nossa sociedade, a afirmação e reconhecimento de nós como população negra e trazer essas bandas que falam sobre a nossa ancestralidade é magnífico, não só no cenário do rock, mas em várias musicalidades está acontecendo essa reafirmação. 
No movimento punk, onde nós nos encontramos atuantes, ainda existem pouquíssimas bandas com essa afirmação.
Agora estamos em um momento de representatividade que por muitos e muitos anos nos foi tomado de forma violenta e posso te garantir de certa forma que foi genocida!

4. Sabemos que o rock foi embranquecido, assim como várias criações africanas e diaspóricas. Qual é a contribuição da Punho de MAHIN no resgate do rock como música negra?
A nossa contribuição é justamente nos fortalecer como pessoas negras e reafirmar que estamos aqui pra marcar presença e com nossos ideais.
5. Quais são as referências da banda? E as referências negras?
É um mix, se juntar as preferências de todos aqui vai do punk 77 até grinde core.
As referências de bandas com integrantes negros são Bad Brains, Devotos, Death, Pure Hell, Sister Rosetta, Jimmy Hendrix, alguns clássicos do blues e de soul music como Chuck Berry, B.B. King, Nina Simone, The Temptations...

6. Como está a criação das músicas? E a gravação? Podem Contar um pouco pra gente?
O processo de criação está indo bem, onde todos contribuem na elaboração e o resultado em estúdio tem nos surpreendido. Estamos nos preparando para começar a tocar e ainda não temos planos para começar a gravar.

7. Vocês possuem outros projetos além da Punho de MAHIN? Quais são eles?
A Natália foi vocalista da banda Condenados por quase dez anos (banda punk do ABC);
O André é baterista da banda Disgosto e vocal/ guitarrista da Ódio Brutal (bandas punks do ABC);
A Camila é guitarrista da banda Bandido da Luz Vermelha (banda punk do ABC) e da Matrics (banda punk de SP);
O Paulo foi baterista da extinta Pele e Osso (banda punk/ HC) e atual baterista da banda Vozes Incômodas (banda punk de SP);
Punho de MAHIN é uma banda que tem bagagem de seus integrantes.

8. Deixem um recado para as Metaleiras Negras e os Metaleiros Negros que acompanham a página.
Primeiramente agradecer a oportunidade de mostrar nosso trabalho que está engatinhando e com poucas semanas de apresentação está nos surpreendendo quando a repercussão e aceitação do público.
Estamos recebendo apoio de muitos amigos de longa data e de desconhecidos que simplesmente gostaram da proposta da banda e isso é muito gratificante.
A história do negro em nosso país foi contada por meio da oralidade e muita coisa se perdeu ao passar dos séculos, então aquilombar-se é preciso, é nosso dever!

Contatos:
Facebook: @punhodemahin
Instagram: punho_de_mahin

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Entrevista - Hanna Paulino: metal negro e feminimo que vem do Amapá

Hanna Paulino - Foto de Nayana Magalhães
 
1. Quais são os seus projetos musicais? Conte-nos um pouco sobre eles.
Hanna: Eu sou extremamente envolvida em diversas coisas. Tenho duas bandas ativas (Vennecy - Hard & Classic, Voxx Voyage - Show Band) e outras duas congeladas por questões alheias a minha vontade. Além dos trabalhos fixos, também trabalho com meu show acústico, participação em show de vários artistas locais e nacionais.

2. O que você gosta de ouvir, e quais bandas te influenciaram no Rock?
Hanna: Nossa, tenho tantas influências, a lista ficaria imensa... Mas no rock, especificamente, gosto de vozes fortes. Dos gringos, gosto da cantora Tina Turner, Alice Smith (mais pro R&B), The Skins, dentre outros. No cenário nacional mais voltado pro Metal sou EXTREMAMENTE fã da cantora Daísa Munhoz (Vandroya e Soulspell)... Mas também tenho minhas influências do afropunk/afrofuturismo nacional, Ellen Oléria e Xênia França são grandes referências para mim! Todos estes nomes influenciam diretamente minha carreira!

3. Como é a cena do metal em Macapá? Em quais eventos você já tocou com a Vennecy Band?
Hanna: Macapá é uma cidade que atualmente vive um ostracismo da cena Rocker de modo geral. Os movimentos estão mornos, com suas atividades reduzidas. Os poucos produtores locais ativos lutam para manter a chama do underground viva, mas cada dia que passa vejo que a luta está ficando cada vez mais árdua. Entrei há 6 meses para a banda VENNECY (a banda tem carreira de mais 5 anos, antes era liderada por outro cantor), desde a minha entrada fizemos dois grandes shows promovidos por duas produtoras locais, e os demais em bares e festas particulares.

4. Quando você começou a curtir metal?
Hanna: O Metal chegou na minha na vida aos 15 anos (2002) por meio de um amigo de escola que além de sacar muito de som, ainda era baterista, e me chamou para cantar na minha primeira banda.

5. Qual foi o seu maior incentivo a seguir pela carreira musical como cantora?
Hanna: Tive uma infância muito boa, na minha casa se escutava de Whitney Houston a cantigas de candomblé. Posso dizer que meu incentivo inicial foi por meus pais, logo depois meu amigo que me mostrou várias vertentes do rock e meu irmão que é um super pesquisador do movimento afropunk.

6. Você acha que ainda existe divisão dentro do Rock? Já sofreu resistência por ser mulher e negra na cena?
Hanna: Existe divisão dentro do rock sim, a luta para o empoderamento é constante! Tive a sorte de não sofrer nenhum tipo de abuso dentro da cena, conquistei desde o início da minha carreira profissional o respeito de todos... Sempre busquei impor a minha força como forma de resistência, e isso talvez tenha sido algo que afugentou qualquer tipo de preconceito direcionado a mim.

7. Qual a contribuição da musica negra para o rock e quais artistas negros você admira dentro deste gênero?Hanna: Já pensou no rock n roll sem a influência do R&B? Pois é, não existiria! Tenho alguns nomes que são referências para mim, tais como: Living Colour, Tina Turner, Alice Smith, Militia Vox, dentro outros.

8. Fale sobre os seus próximos shows, e deixe um recado para todas as metaleiras negras que nos acompanham.Hanna: Bem, os últimos meses do ano são lotados de shows. Para saberem mais sobre a minha agenda, carreira e aventuras musicais é só seguirem as minhas redes sociais.
Às Metaleiras Negras deixo o seguinte recado: Jamais deixem de resistir! Empoderem outras garotas, sigamos juntas!

Entrevista concedida no ano de 2017 e está na 2ª edição do Jornal das Metaleiras Negras.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Nova fase das Metaleiras Negras

Galera, desde agosto sou a única administradora da página/canal/blog das Metaleiras Negras.
As atividades em todos os meios (página no Facebook, canal no YouTube e blog) serão mais constantes.

https://www.youtube.com/watch?v=7PQrxmEZlbo

quarta-feira, 29 de julho de 2015

The Bellrays - Black Lightining

Mas que voz linda dessa Lisa Kekaula, hein!

Por mais negras com vozes lindas no rock como essa.


sábado, 25 de julho de 2015

Bem-vindas ao nosso blog!


Você é negra e metaleira? Então esse espaço foi criado para você!
Além de dicas de moda, cabelo e maquiagem para mulheres negras, você encontrará muito metal e discussões sobre a nossa representatividade na cena.
Assistam ao nosso primeiro vídeo e acompanhem nossas publicações.
 Ass: Andreza e Juliana (Metaleiras Negras).