segunda-feira, 15 de julho de 2019

Vem aí o 4° Encontro das Metaleiras Negras


Para comemorar o aniversário de 4 anos da página Metaleiras Negras, vamos nos reunir na Kasa Ajeji para conhecer a galera trevosa de São Paulo.

A programação contará com o lançamento da 5ª edição do Jornal das Metaleiras Negras, exibição de documentário sobre o 3º Encontro das Metaleiras Negras que ocorreu em julho de 2018, roda de conversa sobre as mulheres negras no rock, discotecagem com o que há de melhor sobre bandas negras no rock, lançamento da coleção Unleashed Noise Records Afropunx, sorteios de uma tatuagem, um print, cervejas artesanais e uma camiseta Metaleiras Negras.

A roda de conversa será composta por Thaís Hern, Juliana Nadu, Tânia Seles, Ketty Valêncio e Juliana Aparecida. Thaís Hern é roteirista, modelo, apresentadora e criadora de conteúdo para mídias sociais, além de ser uma das criadoras da página Nigeek que é voltada para o público negro e nerd e também administra a página Black Parade, voltada para os negros no rock. Juliana Nadu cursou licenciatura em Ciências da Natureza pela USP, começou a tatuar em 2012 e também a trabalhar com a técnica de micropigmentação capilar para solucionar calvície e rarefação capilar, além do estudo de pigmentação em pele negra. Tânia Seles é formada em Artes Visuais, administra as páginas Las Pretas e Sopa Alternativa, voltadas para a valorização da cultura negra. Ketty Valêncio é livreira, bibliotecária e pesquisadora. Mulher preta, periférica, filha de Marta e do Jonas e proprietária da Livraria Africanidades. A mediação ficará por conta de Juliana Aparecida, historiadora, professora e pesquisadora das origens negras do Egito (Kemet) e do rock, além de ser responsável pela páginas Metaleiras Negras e O Egito negro de Cheikh Anta Diop.

Haverá sorteio de cerveja artesanal produzida por Fernando Martins, idealizador da Nando's Beer. Também haverá sorteio de tatuagem por Edgar Lima, que já realizou um sorteio no 3º Encontro das Metaleiras Negras e nesse ano continuará fortalecendo o evento além de mostrar seu excelente trabalho.

A exibição do documentário sobre o 3º Encontro das Metaleiras Negras que ocorreu em julho de 2018 ocorrerá em dois horários: 14:30hs e 17:30hs. A produção ficou por conta de Avelino Regicida, responsável pela Do Morro Produções e Kasa Ajeji.  

No mesmo dia do evento, ocorrerá o lançamento da coleção Unleashed Noise Records Afropunx, que foi idealizada por Leandro Cardoso e tem estampas voltadas para a autoestima e visibilidade preta, que conta com ilustrações de Augusto Miranda.


No dia, a Kasa Ajeji venderá cerveja, doses de conhaque e refrigerante.

O 4° Encontro das Metaleiras Negras ocorrerá no dia 20 de julho de 2019 (sábado), a partir das 14 horas na Kasa Ajeji, que fica na Rua Paulo Ravelli, n° 153, CEP 0248-040, São Paulo.

Entrada gratuita.

Imagem: Ketty Valêncio.

Horários:
- 14:00: Início do evento;
- 14:30: Primeira exibição do documentário sobre o 3º Encontro das Metaleiras Negras;
- 16:00: Roda de conversa sobre as mulheres negras no rock (com Thaís Hern, Juliana Nadu, Tânia Seles, Ketty Valêncio e Juliana Aparecida);
- 17:30: Segunda e última exibição do documentário sobre o 3º Encontro das Metaleiras Negras;

- 18:00: Sorteios de cerveja, tatuagem, print e camiseta Metaleiras Negras e encerramento do evento.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Entrevista - Punho de MAHIN


Na segunda entrevista realizada pela página Metaleiras Negras, vamos conhecer a banda punk Punho de MAHIN, que surgiu esse ano e conta com Natália Matos no vocal, Camila Araújo na guitarra, André no baixo e Paulo Tertuliano na bateria.

1. A banda Punho de MAHIN surgiu esse ano e traz as questões para o centro das discussões no rock. Por quê? E por que Mahin?
Somos punks, logo, questionamos e carregamos isso na essência.
A ideia de trazer a discussão sobre o negro na sociedade veio de forma natural, até mesmo porque sentimos no nosso dia-a-dia os efeitos destrutivos do racismo estrutural.
Sobre o nome foi muito engraçado, pois quando nos reunimos pela primeira vez para saber se todos estavam afim de tocar, todos vieram com a mesma ideia de referência de uma revolta popular ou quilombola que fizesse referência a uma mulher. Foram várias sugestões e leituras até descobrirmos Luiza MAHIN, mãe de Luiz Gama, com uma história incrível de luta e insubordinação, mesmo em alguns pontos podendo ser até fictício por falta de dados.
Não poderia ser algo clichê como Dandara ou Aqualtune, jamais desmerecendo a luta dessas mulheres, mas elas são mais conhecidas, são mais faladas em diversas vertentes musicais e rodas de conversa no movimento negro.
Então ficou PUNHO, que abrange toda e qualquer luta, de MAHIN, que fez referência a essa grande mulher esquecida na história.

2. A banda é formada por 4 integrantes negros, sendo 2 mulheres negras no vocal e na guitarra. Vocês acreditam que possam influenciar mais negras e negros a formarem bandas, a usarem suas camisetas pretas, a serem do rock/metal/punk? É possível ensinar a nossa história com o rock?
A partir do momento que expomos nossa opinião, nosso  modo de pensar nos tornamos pessoas públicas e isso acaba influenciando outras pessoas. Já passei por essa experiência no passado que uma garota chegou em mim e disse: Eu montei uma banda porque te vi cantar e achei muito foda!
Espero que essa influência seja para que possam questionar a sociedade, se questionar, para que possam desconstruir ideias falidas e que possam construir um mundo melhor ao seu redor e não a usarem determinadas roupas ou visual, isso é consequência do ambiente que o sujeito está inserido.
Ter postura e manter uma postura política é mais que um visual carregado de rebites!
Sim, é possível ensinar nossa história com o rock e seja lá qual for o estilo musical a ser escolhido. 
Tudo que escrevemos é baseado em algum acontecimento atual ou histórico. A punho de MAHIN tem muitas letras (que estamos trabalhando) que remetem  a história de nossa ancestralidade. É importante contar a história inúmeras  vezes para que ela não seja esquecida, como também abordamos outros temas de cunho social e político.
Paulo, Natália, André e Camila.
3. Além da banda Punho de MAHIN, também existem bandas (como a Black Pantera e a Ogum, por exemplo) que além de integrantes negros, trazem a nossa ancestralidade nos nomes das bandas. Como vocês enxergam esse cenário atual no rock brasileiro?
Antes de mais nada, procurei alguns vídeos no YouTube dessas bandas que você mencionou, não as conhecia.
Estamos vivendo um momento histórico em nossa sociedade, a afirmação e reconhecimento de nós como população negra e trazer essas bandas que falam sobre a nossa ancestralidade é magnífico, não só no cenário do rock, mas em várias musicalidades está acontecendo essa reafirmação. 
No movimento punk, onde nós nos encontramos atuantes, ainda existem pouquíssimas bandas com essa afirmação.
Agora estamos em um momento de representatividade que por muitos e muitos anos nos foi tomado de forma violenta e posso te garantir de certa forma que foi genocida!

4. Sabemos que o rock foi embranquecido, assim como várias criações africanas e diaspóricas. Qual é a contribuição da Punho de MAHIN no resgate do rock como música negra?
A nossa contribuição é justamente nos fortalecer como pessoas negras e reafirmar que estamos aqui pra marcar presença e com nossos ideais.
5. Quais são as referências da banda? E as referências negras?
É um mix, se juntar as preferências de todos aqui vai do punk 77 até grinde core.
As referências de bandas com integrantes negros são Bad Brains, Devotos, Death, Pure Hell, Sister Rosetta, Jimmy Hendrix, alguns clássicos do blues e de soul music como Chuck Berry, B.B. King, Nina Simone, The Temptations...

6. Como está a criação das músicas? E a gravação? Podem Contar um pouco pra gente?
O processo de criação está indo bem, onde todos contribuem na elaboração e o resultado em estúdio tem nos surpreendido. Estamos nos preparando para começar a tocar e ainda não temos planos para começar a gravar.

7. Vocês possuem outros projetos além da Punho de MAHIN? Quais são eles?
A Natália foi vocalista da banda Condenados por quase dez anos (banda punk do ABC);
O André é baterista da banda Disgosto e vocal/ guitarrista da Ódio Brutal (bandas punks do ABC);
A Camila é guitarrista da banda Bandido da Luz Vermelha (banda punk do ABC) e da Matrics (banda punk de SP);
O Paulo foi baterista da extinta Pele e Osso (banda punk/ HC) e atual baterista da banda Vozes Incômodas (banda punk de SP);
Punho de MAHIN é uma banda que tem bagagem de seus integrantes.

8. Deixem um recado para as Metaleiras Negras e os Metaleiros Negros que acompanham a página.
Primeiramente agradecer a oportunidade de mostrar nosso trabalho que está engatinhando e com poucas semanas de apresentação está nos surpreendendo quando a repercussão e aceitação do público.
Estamos recebendo apoio de muitos amigos de longa data e de desconhecidos que simplesmente gostaram da proposta da banda e isso é muito gratificante.
A história do negro em nosso país foi contada por meio da oralidade e muita coisa se perdeu ao passar dos séculos, então aquilombar-se é preciso, é nosso dever!

Contatos:
Facebook: @punhodemahin
Instagram: punho_de_mahin

Entrevista - Dor Fantasma: história e resistência no thrash metal angolano

Banda Dor Fantasma. Em mais uma entrevista realizada pela página Metaleiras Negras, vamos conhecer a banda de thrash metal angolana...